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Capa da Revista Autofagia#3 - Gravura de Marcelo Terça-Nada

Capa da Revista Autofagia nº3 – Litogravura de Marcelo Terça-Nada!

A Autogafia é editada desde 2004, por Bruno Brum e Makely Ka. O número três foi lançado em 2009 e traz traduções do poeta beatnik Allen Ginsberg feitas por Leo Gonçalves,  imagens da série Tramas, de Marcelo Terça-Nada!, uma entrevista com o escritor mineiro Sérgio Fantini, além de textos e traduções de  Bill Knott, Fabrício Marques, Fernanda Salvo, Guilherme Rodrigues, Joca Reiners Terron, Jorge Rocha, Júlia Studart, Kenneth Rexroth, Letícia Féres, Manoel Ricardo de Lima, Micheliny Verunschk, Mônica de Aquino, Paulo Scott e Reuben da Cunha Rocha.

A insurgência das pipas (e outros jogos potencialmente subversivos)

Texto de Wellington Cançado | Fotos: Marcelo Terça-Nada!

1ª Parte

Bente altas, queimada, rolimã, futebol, pipa, pique-esconde: jogos e brincadeiras de rua. Todos extintos com a extinção da própria rua. Afinal, depois de tanto “matar a rua” ao longo do século 20 parece que finalmente conseguimos o que queria Le Corbusier, aquele arquiteto franco-suíço que queria também demolir a Νle de la Cité em Paris onde se encontra a Notre Dame para ali erguer a sua “Cidade Radiosa”, uma espécie de Barra da Tijuca primordial.

Mas não é que a rua propriamente dita tenha desaparecido, afinal todos os dias somos surpreendidos por outdoors propagando a duplicação e o alargamento das vias por toda a cidade. O que desapareceu mesmo, foi a possibilidade da rua como lugar do ócio, do encontro, das brincadeiras, dos jogos e da festa. Desapareceu a rua como lugar privilegiado da infância, ou de infâncias privilegiadas. Aquela infância dos nossos pais nas florescentes porém ainda humanas capitais, mas também a rua das crianças dos interiores por todo o país. Ruas em que crianças passavam as noites jogando e brincando, em que os portões eram gol, que a calçada era pista, que o degrau era rampa, que o muro era esconderijo, que a árvore era desafio, que o lixo era brinquedo, que o asfalto era campo, que os carros eram raros. Continuar lendo